“Eu não vivo mais. Eu ando existindo, lutando. Contra o que? contra nada, na verdade. Talvez contra o escuro da noite ao ir ao banheiro de luzes apagadas, ou contra a rotina estagnante que me persegue. Mas sempre me vejo em posição de defesa. Defendendo-me do vento, seria uma boa definição. Tudo isso por medo. Medo de abrir os braços e não ser abraçada, medo de ser apunhalada e deixada na metade do caminho. Medo de não haver uma resposta para tantas perguntas. Medo idiota. I-d-i-o-t-a, bem pausadamente para que o sentido seja de fato absorvido. Sentir medo e temer é algo que vicia. Aos poucos, eu me sinto destruída e mais obrigada a me reter na minha humilde opinião. Me sinto insegura o suficiente para não abrir a boca, para balançar a cabeça e dizer: eu concordo. Mas essa não sou eu. Ao contrário. Eu não sei mais quem eu sou, porque isso tudo me confunde muito. Já fui mais corajosa, mais imponente. Já gritei até perder a voz. Hoje falo mais do que faço, faço menos que devia, penso mais do que falo e faço. Entende? Tudo muito complexo e ao mesmo tempo muito empobrecedor. Isso me empobrece. Me faz ser uma marionete na mão de quem quiser se divertir. Eu quero mudar isso. Quero levantar da cama e encontrar uma razão pra tirar os óculos e começar a ver as coisas como elas são. Quero parar de temer algo que inevitavelmente vai acontecer. Quero cair menos nas armadilhas que tecem por aí. Quero ser surpreendida. Isso resume ao menos a ideia. Estou cheia de gente hipócrita e guerras. Estou transbordando de vontade de mostrar ao mundo quem eu sou, mas me falta algo. Me falta alguém para acreditar. Ouvindo uma música, uma frase prendeu minha atenção: arriscado sempre é. Se eu não agir, corro o risco de não experimentar. Se eu agir, corro o risco de me ferir. Então, riscos à parte, é melhor se lançar de cabeça, de corpo inteiro, e ver no que vai dar. Assim mesmo: bem naturalmente. Pensando um pouco, isso tudo é muito banal. Tão banal que chega ser enjoativo. Agora imagina como é sentir isso e mais um pouco. É de dar enjoo. Eu quero seguir no semáforo vermelho, sair das regras por um momento e esquecer que exista um mundo em volta de mim: quero que só eu baste, só minha vontade prevaleça e quero que tudo me obedeça. Quero obedecer a mim mesma, sem relutância e eufemismo. Eu luto por isso há tempos, mas não tinha coragem o suficiente para tirar as coisas do rascunho, já amassado e quase sendo arremessado à lixeira. Eu criei forças. E só eu mesma posso me parar nesse trânsito. Medo agora pra mim é instinto secundário: não arde, não fere. Só enfia minhocas na cabeça. E deixar de ouvir minha razão para dar ouvidos a minhocas é no mínimo ridículo. — Arriscado sempre é. Só não pode o medo te paralisar.
V.R. (via
m-elodrama)
29/05/2012 @ 06:28
“Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode.
Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. —
Caio Fernando Abreu (via
amando-a)
29/05/2012 @ 12:47
“Noite passada eu não consegui dormir. Tantos pensamentos embaralhados, mas nenhum pra dar razão pra
tanta insônia. —
Sleepless (Itsburied)
29/05/2012 @ 12:44
“Você sofre, se lamenta e depois vai dormir. —
Cazuza. (via
poetizas)
28/05/2012 @ 09:38